Há muito, muito tempo ainda era eu criança, conheci duas raparigas gémeas. Eram iguaizinhas, nem eu que as conhecia há anos as sabia distinguir. Numa tarde, elas contaram-me uma história que elas viveram…
- Mana, que roupa levamos para a festa do Tomás? – perguntou Sara.
O Tomás era um rapaz maravilhoso, na opinião da Sara e da Patrícia.
Era um rapaz alto, elegante, de cabelos loiros e compridos, olhos azuis e uma pele clara e brilhante. As duas irmãs achavam-no o máximo. Para elas, ele era maravilhoso, divertido, simpático… o único problema era ele gostar das duas apenas como amigas.
- Já sabes que não gosto que me chames mana, prefiro mil vezes…
- … Ticha, já sei.
Ticha era o nome por que Patrícia gostava de ser tratada.
- Ticha, não me respondeste à pergunta.
- Sei lá, eu… já sei!
- O que é, o que é ?- perguntou Sara muito ansiosa pela resposta de sua irmã.
- Podemos levar aquele vestido rosa-choque que vimos na montra da loja… - respondeu Patrícia, esperando pela reacção de Sara.
- Ai, meu Deus! Como é que eu não me lembrei?
- Vamos lá agora? - perguntou Sara, pegando no casaco já pronta para sair.
- Ok, bora lá!
Lá foram as duas comprar o tal vestido. Foram e voltaram.
- Vamos experimentá-lo? - perguntou Sara.
- Claro, que esperas? - respondeu Ticha tirando a roupa que tinha vestida.
Quando estavam prontas chamaram a mãe.
A mãe das gémeas chamava-se Rosa. Para as gémeas ela era uma mãe espectacular, pois compreendia-as e ajudava-as a tomar as decisões certas.
-Já vou ! - respondeu a mãe das gémeas.
- Filhas, onde estais? -perguntou D. Rosa procurando as filhas.
- Estás pronta? -perguntou Sara.
- Sim, estou…aparecei! Meu Deus, filhas, vocês estão…
- … Lindas, não!? – exclamou Ticha.
Sim, elas estavam muito bonitas. Os seus cabelos castanhos claros soltos, os olhos brilhantes, os lábios pintados com gloss de brilho, o vestido rosa-choque… estavam lindas!
- Mais do que lindas! Mas acho que deviam calçar os sapatos lilás e, para acompanhar, a vossa fita.
- Concordo! – acrescentou Sara.
- Eu também concordo - disse Ticha.
- Bem, eu vou acabar de fazer o jantar – avisou D. Rosa.
- Ok, mãe, vai lá – disse Ticha - nós vamos acabar de nos preparar.
E assim foi. Sara e Ticha estavam a preparar-se. Ticha abriu a porta do roupeiro para tirar uma fita para o cabelo e, de repente, uma luz muito forte fê-las fechar os olhos. Instantes depois, abriram-nos. Que surpresa! Onde estavam?
Era um sítio maravilhoso, parecia um paraíso. Parecia uma floresta, muito limpa, cheia de flores de variadas espécies… Ouviram um barulho, alguém se aproximava delas.
- Olá, importa-se de dizer quem é e onde estamos? – perguntou Sara pedindo explicações.
- Bom dia, eu chamo-me Marth e tenho 205 anos.
- 205 anos? – perguntou Ticha.
- Sim, 205 anos. Aqui em ParyParty temos uma vida longa. Estamos a meio da manhã, são 10 horas e 15 minutos – explicou o mago.
- E vós, quem sois? O que fazeis aqui? – perguntou Marth.
- Eu sou a Sara.
- Eu sou a Patrícia, Ticha para os amigos e familiares.
- Então, posso chamar-te Ticha? – perguntou Marth.
- Eu não te considero família nem amigo, mas acho que podes tratar-me dessa maneira – respondeu Ticha, estranhando a reacção de Marth.
- Bem, mas de onde sois e, já agora, o que sois? – perguntou Marth.
- Nós somos de Portugal, um sítio mais real do que este e somos humanas – explicaram elas.
- Pois, humano também eu sou. Vocês são cópias?
- Cópias? – perguntou Sara rindo-se para a irmã.
- Não, nós somos gémeas.
- Gemas? Mas isso não são aquelas coisas amarelas que estão no interior dos ovos?
- Não, gémeas – explicou Sara.
- Então, isso significa cópias? – perguntou Marth.
- Sim, é mais ou menos isso – rematou Patrícia.
- Quereis que vos mostre um pouco de ParyParty? - perguntou Marth.
- Eu conheço este país como as palmas das minhas mãos. Aliás, cento e cinco anos já é tempo suficiente para se conhecer qualquer lugar maravilhoso de olhos fechados – concluiu Marth.
- Sim, pode ser – responderam ambas.
Visitaram os rios, os lagos, as florestas, os jardins, as casas dos insectos, dos tigres… Certa altura, algo especial prendeu a atenção de Ticha.
- Que lugar é aquele? – perguntou Ticha apontando para o local.
Nesse momento Marth deixou de sorrir e calou-se.
- Estou cheia de saudades dos pais e do Tomás… - murmurou Sara.
- O Tomás, a festa!
Lembraram-se, finalmente, que tinham um compromisso.
Marth não dizia uma única palavra …
- Marth, que se passa? – perguntou Sara já um pouco preocupada.
Marth nada dizia. Já se notavam os olhos molhados como quem ia chorar.
- Marth! – insistiu Sara.
- Ah, sim, diz! Que se passa? – perguntou Marth já sem saber o que Sara e Patrícia tinham perguntado.
- Porque ficaste assim tão estranho? – perguntou Ticha.
- Assim como? – perguntou Marth.
- Calado e com os olhos cheios de lágrimas – explicou Sara.
- É uma longa história…
- Temos todo o tempo do mundo, até porque não sabemos como voltar para casa.
- No dia do meu aniversário, faz cinquenta anos que a minha falecida mãe me mandou a mim e ao meu irmão mais novo buscar lenha. Ela avisou-nos que se comêssemos as amoras rosadas apareceria o gigante do bosque, meio homem meio animal, mas nós ficámos curiosos e não obedecemos. O gigante surgiu como por magia e levou o meu irmão para o interior da floresta onde ninguém se atreve a entrar. E foi isso que aconteceu.
- Agora entendemos a tua reacção. Mas nunca o procuraste? – perguntou Ticha.
- Procurei, mas não consegui encontrá-lo. É como se ele já tivesse morrido...
- Não digas isso, bate na madeira – ordenou Sara.
- O diabo seja cego, surdo e mudo – disse Patrícia comovida com a trágica história.
- Vamos ajudá-lo, Ticha?
- Isso é pergunta que se faça? É claro que o ajudamos.
Um sorriso iluminou o rosto de Marth.
- Vocês são uns amores – disse Marth, agradecendo a reacção de ambas.
- Amanhã, bem cedinho, vamos partir para esse lugar – ordenou Sara.
- Sabem, quem ajuda um mago com mais de 100 anos pode realizar um desejo.
- Isso era óptimo, assim podíamos desejar voltar para casa, para poder estar de novo com a nossa família – sugeriu Ticha.
- Se me ajudarem, cada uma terá direito a um desejo.
Almoçaram, jantaram e deitaram-se a descansar. No dia seguinte, tinham muito caminho pela frente. Caminharam durante dias a fio até que encontraram um rio. Era Inverno e a água estava gelada. Não podiam atravessá-lo nadando. Procuraram ramos de árvores e construíram uma jangada. Assim que a jangada ficou pronta, atravessaram o rio e partiram em direcção à floresta.
- Meninas vêem aquela casa gigante e horrível? È lá que o meu irmão está feito prisioneiro. De certeza que querem continuar?
- Claro! - disseram ambas.
- Obrigado, meninas. O gigante vê mal, teremos que entrar em silêncio e, no momento em que ele estiver à lareira, empurrá-lo para o fogo de surpresa. Depois, soltamos o meu irmão e fugimos.
- Entendido – disseram as duas irmãs.
Dito e feito. O gigante nem teve tempo para se aperceber do que estava a acontecer.
- Porque razão o gigante ainda mantinha o Jolih prisioneiro?
- É óbvio que ele usava o meu irmão como escravo.
- Acabou tudo bem, felizmente – disse Jolih.
Nesse instante Jolih e Marth abraçaram-se choraram de emoção. Sara e Patrícia também se comoveram. Rapidamente, sem perder tempo, iniciaram a viagem de regresso à floresta donde tinham partido.
- Bem chegámos – disse Marth - agora já podeis pedir um desejo, cada uma.
Sara e Patrícia já tinham combinado os desejos que iam pedir.
- Desejo que vocês, Jolih e Marth, nunca mais se separem – disse Sara.
- Desejo voltar para casa, para Portugal – disse Patrícia.
As gémeas despediram-se dos seus novos amigos e, sem perceberem como aconteceu, viram-se dentro do armário do quarto delas.
- Mãe, ó mãe! – chamaram ambas.
- Sim, que quereis?
- Tivemos tantas saudades tuas e do pai.
- Mas só passaram cinco minutos – disse a mãe.
- Só? – perguntaram.
- Sim, e está na hora de ir à festa do Tomás.
- Sim, vamos! – disseram as irmãs aliviadas.
Afinal estava tudo em ordem. Não sabiam como explicar o que se tinha passado, mais tarde falariam sobre isso.
- Parabéns Tomás! – disseram as irmãs.
- Obrigado! – respondeu Tomás.
Patrícia e Sara, 7º3
......
- Mana, que roupa levamos para a festa do Tomás? – perguntou Sara.
O Tomás era um rapaz maravilhoso, na opinião da Sara e da Patrícia.
Era um rapaz alto, elegante, de cabelos loiros e compridos, olhos azuis e uma pele clara e brilhante. As duas irmãs achavam-no o máximo. Para elas, ele era maravilhoso, divertido, simpático… o único problema era ele gostar das duas apenas como amigas.
- Já sabes que não gosto que me chames mana, prefiro mil vezes…
- … Ticha, já sei.
Ticha era o nome por que Patrícia gostava de ser tratada.
- Ticha, não me respondeste à pergunta.
- Sei lá, eu… já sei!
- O que é, o que é ?- perguntou Sara muito ansiosa pela resposta de sua irmã.
- Podemos levar aquele vestido rosa-choque que vimos na montra da loja… - respondeu Patrícia, esperando pela reacção de Sara.
- Ai, meu Deus! Como é que eu não me lembrei?
- Vamos lá agora? - perguntou Sara, pegando no casaco já pronta para sair.
- Ok, bora lá!
Lá foram as duas comprar o tal vestido. Foram e voltaram.
- Vamos experimentá-lo? - perguntou Sara.
- Claro, que esperas? - respondeu Ticha tirando a roupa que tinha vestida.
Quando estavam prontas chamaram a mãe.
A mãe das gémeas chamava-se Rosa. Para as gémeas ela era uma mãe espectacular, pois compreendia-as e ajudava-as a tomar as decisões certas.
-Já vou ! - respondeu a mãe das gémeas.
- Filhas, onde estais? -perguntou D. Rosa procurando as filhas.
- Estás pronta? -perguntou Sara.
- Sim, estou…aparecei! Meu Deus, filhas, vocês estão…
- … Lindas, não!? – exclamou Ticha.
Sim, elas estavam muito bonitas. Os seus cabelos castanhos claros soltos, os olhos brilhantes, os lábios pintados com gloss de brilho, o vestido rosa-choque… estavam lindas!
- Mais do que lindas! Mas acho que deviam calçar os sapatos lilás e, para acompanhar, a vossa fita.
- Concordo! – acrescentou Sara.
- Eu também concordo - disse Ticha.
- Bem, eu vou acabar de fazer o jantar – avisou D. Rosa.
- Ok, mãe, vai lá – disse Ticha - nós vamos acabar de nos preparar.
E assim foi. Sara e Ticha estavam a preparar-se. Ticha abriu a porta do roupeiro para tirar uma fita para o cabelo e, de repente, uma luz muito forte fê-las fechar os olhos. Instantes depois, abriram-nos. Que surpresa! Onde estavam?
Era um sítio maravilhoso, parecia um paraíso. Parecia uma floresta, muito limpa, cheia de flores de variadas espécies… Ouviram um barulho, alguém se aproximava delas.
- Olá, importa-se de dizer quem é e onde estamos? – perguntou Sara pedindo explicações.
- Bom dia, eu chamo-me Marth e tenho 205 anos.
- 205 anos? – perguntou Ticha.
- Sim, 205 anos. Aqui em ParyParty temos uma vida longa. Estamos a meio da manhã, são 10 horas e 15 minutos – explicou o mago.
- E vós, quem sois? O que fazeis aqui? – perguntou Marth.
- Eu sou a Sara.
- Eu sou a Patrícia, Ticha para os amigos e familiares.
- Então, posso chamar-te Ticha? – perguntou Marth.
- Eu não te considero família nem amigo, mas acho que podes tratar-me dessa maneira – respondeu Ticha, estranhando a reacção de Marth.
- Bem, mas de onde sois e, já agora, o que sois? – perguntou Marth.
- Nós somos de Portugal, um sítio mais real do que este e somos humanas – explicaram elas.
- Pois, humano também eu sou. Vocês são cópias?
- Cópias? – perguntou Sara rindo-se para a irmã.
- Não, nós somos gémeas.
- Gemas? Mas isso não são aquelas coisas amarelas que estão no interior dos ovos?
- Não, gémeas – explicou Sara.
- Então, isso significa cópias? – perguntou Marth.
- Sim, é mais ou menos isso – rematou Patrícia.
- Quereis que vos mostre um pouco de ParyParty? - perguntou Marth.
- Eu conheço este país como as palmas das minhas mãos. Aliás, cento e cinco anos já é tempo suficiente para se conhecer qualquer lugar maravilhoso de olhos fechados – concluiu Marth.
- Sim, pode ser – responderam ambas.
Visitaram os rios, os lagos, as florestas, os jardins, as casas dos insectos, dos tigres… Certa altura, algo especial prendeu a atenção de Ticha.
- Que lugar é aquele? – perguntou Ticha apontando para o local.
Nesse momento Marth deixou de sorrir e calou-se.
- Estou cheia de saudades dos pais e do Tomás… - murmurou Sara.
- O Tomás, a festa!
Lembraram-se, finalmente, que tinham um compromisso.
Marth não dizia uma única palavra …
- Marth, que se passa? – perguntou Sara já um pouco preocupada.
Marth nada dizia. Já se notavam os olhos molhados como quem ia chorar.
- Marth! – insistiu Sara.
- Ah, sim, diz! Que se passa? – perguntou Marth já sem saber o que Sara e Patrícia tinham perguntado.
- Porque ficaste assim tão estranho? – perguntou Ticha.
- Assim como? – perguntou Marth.
- Calado e com os olhos cheios de lágrimas – explicou Sara.
- É uma longa história…
- Temos todo o tempo do mundo, até porque não sabemos como voltar para casa.
- No dia do meu aniversário, faz cinquenta anos que a minha falecida mãe me mandou a mim e ao meu irmão mais novo buscar lenha. Ela avisou-nos que se comêssemos as amoras rosadas apareceria o gigante do bosque, meio homem meio animal, mas nós ficámos curiosos e não obedecemos. O gigante surgiu como por magia e levou o meu irmão para o interior da floresta onde ninguém se atreve a entrar. E foi isso que aconteceu.
- Agora entendemos a tua reacção. Mas nunca o procuraste? – perguntou Ticha.
- Procurei, mas não consegui encontrá-lo. É como se ele já tivesse morrido...
- Não digas isso, bate na madeira – ordenou Sara.
- O diabo seja cego, surdo e mudo – disse Patrícia comovida com a trágica história.
- Vamos ajudá-lo, Ticha?
- Isso é pergunta que se faça? É claro que o ajudamos.
Um sorriso iluminou o rosto de Marth.
- Vocês são uns amores – disse Marth, agradecendo a reacção de ambas.
- Amanhã, bem cedinho, vamos partir para esse lugar – ordenou Sara.
- Sabem, quem ajuda um mago com mais de 100 anos pode realizar um desejo.
- Isso era óptimo, assim podíamos desejar voltar para casa, para poder estar de novo com a nossa família – sugeriu Ticha.
- Se me ajudarem, cada uma terá direito a um desejo.
Almoçaram, jantaram e deitaram-se a descansar. No dia seguinte, tinham muito caminho pela frente. Caminharam durante dias a fio até que encontraram um rio. Era Inverno e a água estava gelada. Não podiam atravessá-lo nadando. Procuraram ramos de árvores e construíram uma jangada. Assim que a jangada ficou pronta, atravessaram o rio e partiram em direcção à floresta.
- Meninas vêem aquela casa gigante e horrível? È lá que o meu irmão está feito prisioneiro. De certeza que querem continuar?
- Claro! - disseram ambas.
- Obrigado, meninas. O gigante vê mal, teremos que entrar em silêncio e, no momento em que ele estiver à lareira, empurrá-lo para o fogo de surpresa. Depois, soltamos o meu irmão e fugimos.
- Entendido – disseram as duas irmãs.
Dito e feito. O gigante nem teve tempo para se aperceber do que estava a acontecer.
- Porque razão o gigante ainda mantinha o Jolih prisioneiro?
- É óbvio que ele usava o meu irmão como escravo.
- Acabou tudo bem, felizmente – disse Jolih.
Nesse instante Jolih e Marth abraçaram-se choraram de emoção. Sara e Patrícia também se comoveram. Rapidamente, sem perder tempo, iniciaram a viagem de regresso à floresta donde tinham partido.
- Bem chegámos – disse Marth - agora já podeis pedir um desejo, cada uma.
Sara e Patrícia já tinham combinado os desejos que iam pedir.
- Desejo que vocês, Jolih e Marth, nunca mais se separem – disse Sara.
- Desejo voltar para casa, para Portugal – disse Patrícia.
As gémeas despediram-se dos seus novos amigos e, sem perceberem como aconteceu, viram-se dentro do armário do quarto delas.
- Mãe, ó mãe! – chamaram ambas.
- Sim, que quereis?
- Tivemos tantas saudades tuas e do pai.
- Mas só passaram cinco minutos – disse a mãe.
- Só? – perguntaram.
- Sim, e está na hora de ir à festa do Tomás.
- Sim, vamos! – disseram as irmãs aliviadas.
Afinal estava tudo em ordem. Não sabiam como explicar o que se tinha passado, mais tarde falariam sobre isso.
- Parabéns Tomás! – disseram as irmãs.
- Obrigado! – respondeu Tomás.
Patrícia e Sara, 7º3
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