quinta-feira, 13 de maio de 2010

Amor entre irmãos

Há muito, muito tempo ainda era eu criança, conheci duas raparigas gémeas. Eram iguaizinhas, nem eu que as conhecia há anos as sabia distinguir. Numa tarde, elas contaram-me uma história que elas viveram…
- Mana, que roupa levamos para a festa do Tomás? – perguntou Sara.
O Tomás era um rapaz maravilhoso, na opinião da Sara e da Patrícia.
Era um rapaz alto, elegante, de cabelos loiros e compridos, olhos azuis e uma pele clara e brilhante. As duas irmãs achavam-no o máximo. Para elas, ele era maravilhoso, divertido, simpático… o único problema era ele gostar das duas apenas como amigas.
- Já sabes que não gosto que me chames mana, prefiro mil vezes…
- … Ticha, já sei.
Ticha era o nome por que Patrícia gostava de ser tratada.
- Ticha, não me respondeste à pergunta.
- Sei lá, eu… já sei!
- O que é, o que é ?- perguntou Sara muito ansiosa pela resposta de sua irmã.
- Podemos levar aquele vestido rosa-choque que vimos na montra da loja… - respondeu Patrícia, esperando pela reacção de Sara.
- Ai, meu Deus! Como é que eu não me lembrei?
- Vamos lá agora? - perguntou Sara, pegando no casaco já pronta para sair.
- Ok, bora lá!
Lá foram as duas comprar o tal vestido. Foram e voltaram.
- Vamos experimentá-lo? - perguntou Sara.
- Claro, que esperas? - respondeu Ticha tirando a roupa que tinha vestida.
Quando estavam prontas chamaram a mãe.
A mãe das gémeas chamava-se Rosa. Para as gémeas ela era uma mãe espectacular, pois compreendia-as e ajudava-as a tomar as decisões certas.
-Já vou ! - respondeu a mãe das gémeas.
- Filhas, onde estais? -perguntou D. Rosa procurando as filhas.
- Estás pronta? -perguntou Sara.
- Sim, estou…aparecei! Meu Deus, filhas, vocês estão…
- … Lindas, não!? – exclamou Ticha.
Sim, elas estavam muito bonitas. Os seus cabelos castanhos claros soltos, os olhos brilhantes, os lábios pintados com gloss de brilho, o vestido rosa-choque… estavam lindas!
- Mais do que lindas! Mas acho que deviam calçar os sapatos lilás e, para acompanhar, a vossa fita.
- Concordo! – acrescentou Sara.
- Eu também concordo - disse Ticha.
- Bem, eu vou acabar de fazer o jantar – avisou D. Rosa.
- Ok, mãe, vai lá – disse Ticha - nós vamos acabar de nos preparar.
E assim foi. Sara e Ticha estavam a preparar-se. Ticha abriu a porta do roupeiro para tirar uma fita para o cabelo e, de repente, uma luz muito forte fê-las fechar os olhos. Instantes depois, abriram-nos. Que surpresa! Onde estavam?
Era um sítio maravilhoso, parecia um paraíso. Parecia uma floresta, muito limpa, cheia de flores de variadas espécies… Ouviram um barulho, alguém se aproximava delas.
- Olá, importa-se de dizer quem é e onde estamos? – perguntou Sara pedindo explicações.
- Bom dia, eu chamo-me Marth e tenho 205 anos.
- 205 anos? – perguntou Ticha.
- Sim, 205 anos. Aqui em ParyParty temos uma vida longa. Estamos a meio da manhã, são 10 horas e 15 minutos – explicou o mago.
- E vós, quem sois? O que fazeis aqui? – perguntou Marth.
- Eu sou a Sara.
- Eu sou a Patrícia, Ticha para os amigos e familiares.
- Então, posso chamar-te Ticha? – perguntou Marth.
- Eu não te considero família nem amigo, mas acho que podes tratar-me dessa maneira – respondeu Ticha, estranhando a reacção de Marth.
- Bem, mas de onde sois e, já agora, o que sois? – perguntou Marth.
- Nós somos de Portugal, um sítio mais real do que este e somos humanas – explicaram elas.
- Pois, humano também eu sou. Vocês são cópias?
- Cópias? – perguntou Sara rindo-se para a irmã.
- Não, nós somos gémeas.
- Gemas? Mas isso não são aquelas coisas amarelas que estão no interior dos ovos?
- Não, gémeas – explicou Sara.
- Então, isso significa cópias? – perguntou Marth.
- Sim, é mais ou menos isso – rematou Patrícia.
- Quereis que vos mostre um pouco de ParyParty? - perguntou Marth.
- Eu conheço este país como as palmas das minhas mãos. Aliás, cento e cinco anos já é tempo suficiente para se conhecer qualquer lugar maravilhoso de olhos fechados – concluiu Marth.
- Sim, pode ser – responderam ambas.
Visitaram os rios, os lagos, as florestas, os jardins, as casas dos insectos, dos tigres… Certa altura, algo especial prendeu a atenção de Ticha.
- Que lugar é aquele? – perguntou Ticha apontando para o local.
Nesse momento Marth deixou de sorrir e calou-se.
- Estou cheia de saudades dos pais e do Tomás… - murmurou Sara.
- O Tomás, a festa!
Lembraram-se, finalmente, que tinham um compromisso.
Marth não dizia uma única palavra …
- Marth, que se passa? – perguntou Sara já um pouco preocupada.
Marth nada dizia. Já se notavam os olhos molhados como quem ia chorar.
- Marth! – insistiu Sara.
- Ah, sim, diz! Que se passa? – perguntou Marth já sem saber o que Sara e Patrícia tinham perguntado.
- Porque ficaste assim tão estranho? – perguntou Ticha.
- Assim como? – perguntou Marth.
- Calado e com os olhos cheios de lágrimas – explicou Sara.
- É uma longa história…
- Temos todo o tempo do mundo, até porque não sabemos como voltar para casa.
- No dia do meu aniversário, faz cinquenta anos que a minha falecida mãe me mandou a mim e ao meu irmão mais novo buscar lenha. Ela avisou-nos que se comêssemos as amoras rosadas apareceria o gigante do bosque, meio homem meio animal, mas nós ficámos curiosos e não obedecemos. O gigante surgiu como por magia e levou o meu irmão para o interior da floresta onde ninguém se atreve a entrar. E foi isso que aconteceu.
- Agora entendemos a tua reacção. Mas nunca o procuraste? – perguntou Ticha.
- Procurei, mas não consegui encontrá-lo. É como se ele já tivesse morrido...
- Não digas isso, bate na madeira – ordenou Sara.
- O diabo seja cego, surdo e mudo – disse Patrícia comovida com a trágica história.
- Vamos ajudá-lo, Ticha?
- Isso é pergunta que se faça? É claro que o ajudamos.
Um sorriso iluminou o rosto de Marth.
- Vocês são uns amores – disse Marth, agradecendo a reacção de ambas.
- Amanhã, bem cedinho, vamos partir para esse lugar – ordenou Sara.
- Sabem, quem ajuda um mago com mais de 100 anos pode realizar um desejo.
- Isso era óptimo, assim podíamos desejar voltar para casa, para poder estar de novo com a nossa família – sugeriu Ticha.
- Se me ajudarem, cada uma terá direito a um desejo.
Almoçaram, jantaram e deitaram-se a descansar. No dia seguinte, tinham muito caminho pela frente. Caminharam durante dias a fio até que encontraram um rio. Era Inverno e a água estava gelada. Não podiam atravessá-lo nadando. Procuraram ramos de árvores e construíram uma jangada. Assim que a jangada ficou pronta, atravessaram o rio e partiram em direcção à floresta.
- Meninas vêem aquela casa gigante e horrível? È lá que o meu irmão está feito prisioneiro. De certeza que querem continuar?
- Claro! - disseram ambas.
- Obrigado, meninas. O gigante vê mal, teremos que entrar em silêncio e, no momento em que ele estiver à lareira, empurrá-lo para o fogo de surpresa. Depois, soltamos o meu irmão e fugimos.
- Entendido – disseram as duas irmãs.
Dito e feito. O gigante nem teve tempo para se aperceber do que estava a acontecer.
- Porque razão o gigante ainda mantinha o Jolih prisioneiro?
- É óbvio que ele usava o meu irmão como escravo.
- Acabou tudo bem, felizmente – disse Jolih.
Nesse instante Jolih e Marth abraçaram-se choraram de emoção. Sara e Patrícia também se comoveram. Rapidamente, sem perder tempo, iniciaram a viagem de regresso à floresta donde tinham partido.
- Bem chegámos – disse Marth - agora já podeis pedir um desejo, cada uma.
Sara e Patrícia já tinham combinado os desejos que iam pedir.
- Desejo que vocês, Jolih e Marth, nunca mais se separem – disse Sara.
- Desejo voltar para casa, para Portugal – disse Patrícia.
As gémeas despediram-se dos seus novos amigos e, sem perceberem como aconteceu, viram-se dentro do armário do quarto delas.
- Mãe, ó mãe! – chamaram ambas.
- Sim, que quereis?
- Tivemos tantas saudades tuas e do pai.
- Mas só passaram cinco minutos – disse a mãe.
- Só? – perguntaram.
- Sim, e está na hora de ir à festa do Tomás.
- Sim, vamos! – disseram as irmãs aliviadas.
Afinal estava tudo em ordem. Não sabiam como explicar o que se tinha passado, mais tarde falariam sobre isso.
- Parabéns Tomás! – disseram as irmãs.
- Obrigado! – respondeu Tomás.


Patrícia e Sara, 7º3

......

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