Era uma vez uma menina que se chamava Carolina. Sonhava ser escritora, mas não tinha coragem para mostrar as suas histórias, ela até já tinha escrito muitos contos na escola, mas nunca quis entregá-los à sua professora.
Um dia, ela decide começar outra história e, de repente, viu-se num mundo encantado, cheio de flores, borboletas, passarinhos e outras coisas mais.
- Mas que coisa tão linda! - disse a Carolina, - quem me dera saber onde estou!
De repente ouviu uma voz que disse:
- Estás no mundo encantado das bruxas e feiticeiras…
- Quem és tu? – perguntou a Carolina.
- Eu sou o guardião da floresta, vivo aqui há um milhão de anos e guardo a floresta desde que o meu papa morreu…
- E porque é que falas, tu pareces um urso!
- É porque as feiticeiras deste mundo encantado sempre que um novo ursinho nasce, desde que seja da família que protege a floresta, dá-lhe o dom da fala.
- E sabes quem é que te deu o dom da fala?
- Foi a feiticeira mãe, ela é que cuida de todos os animais da floresta e das pessoas que vivem aqui no reino, queres conhecê-la?
- Não sei, a minha mãe não me deixa andar com estranhos, principalmente estranhos assim…
- Faz de conta que eu sou teu amigo desde que nasceste, Ok?
- Pode ser, como se chama a feiticeira mãe?
- Chama-se Flora, é muito querida e também, se tiveres um desejo, seja qual for, ela pode conceder - to.
- Que fixe, ainda bem que comecei a escrever aquela história, eu que pensava que era como as outras…
- Podes deixar-me ler uma das tuas histórias?
Imediatamente, a menina parou de falar com vergonha de mostrar uma das suas histórias ao ursinho e ele não gostar.
O ursinho achou estranho, mas pensou logo que ela podia estar com vergonha e não se importou. Seguiram caminho.
No caminho encontraram o coelho saltitão, a raposa trabalhadora e também a tartaruga veloz. O coelho estava a treinar as suas poções para se tornar um homem, mas transformava-se sempre em algum animal pré-histórico. A raposa estava sempre a trabalhar, a arrumar a casa, a limpar o jardim, a lavar a roupa, a passar a ferro e a colher os frutos do seu quintal. E por fim a tartaruga estava a treinar para os jogos Olímpicos de 2010 fazendo muitas flexões.
A raposa meteu conversa:
- Olá, quem é esta menina que te acompanha, guardião?
- É uma menina que encontrei perdida no bosque. Chama-se Carolina. Sabes, eu ia agora mesmo levá-la à feiticeira mãe.
- Se fosse a ti não ia porque vais apanhar uma seca das boas.
- Porquê? A feiticeira mãe disse que se eu encontrasse alguém perdido no bosque podia levá-lo para o seu castelo!
- É que ela está no meio de uma batalha, e tu sabes que quando ela pressente alguém no castelo, perde logo a batalha…
- Não sabia que estava numa batalha, obrigado por me avisares.
-De nada, passa por cá depois de levares a Carolina ao castelo da Flora, pode ser?
- Claro raposa, será um prazer passar por cá outra vez e falar contigo de novo, até logo!
- Até logo guardião e boa viagem.
Continuaram a sua viagem, mas com algumas pausas para não incomodar a feiticeira mãe. Numa dessas pausa a Carolina sem se conseguir conter mais perguntou ao guardião:
- Com quem é que a feiticeira mãe está a lutar?
- Deve de ser o habitual, com as bruxas…
- Com as bruxas?
- Sim, elas estão sempre a atacar o nosso reino, e a Flora já está farta…
- Mas as bruxas não são vossas amigas?
- Dantes eram, mas, quando o meu pai morreu, a feiticeira mãe zangou-se com a líder das bruxas, a sua mãe, e depois nunca mais se falaram. Depois houve guerra de irmãs, porque a irmã da Flora tornou-se a bruxa líder depois da sua mãe ultrapassar os 150 anos. Foi aí que tudo, praticamente, começou.
- Tenho pena da feiticeira mãe, ter de lutar contra a própria irmã…
E por momentos, Carolina e o guardião ficaram calados. O tempo tinha passado rapidamente.
Já passava da hora de descansar da Carolina. O guardião tapou-a para ficar quentinha durante a noite e depois cantou-lhe uma canção de embalar.
No dia seguinte o urso pensou assim “A luta já deve ter parado, vamos seguir caminho…”. Acordou a Carolina e tomaram o pequeno-almoço antes de reiniciarem a viagem.
Quando chegaram ao castelo da feiticeira mãe, a Carolina ficou de boca aberta por ver tanta beleza à frente dos seus olhos. As cortinas eram rosa claro e a cor do próprio castelo era azul muito clarinho. O castelo para ela era um sonho tornado realidade, faltava ser seu!
Entraram lá dentro e, quando ela viu a feiticeira mãe tão bonita, quase desmaiava. Os seus cabelos loiros e encaracolados formavam a brisa dentro do castelo e o seu perfume sentia-se de longe. A menina estava muito contente por estar ali…
- Bom dia guardião, como está? Quem é essa menina aí ao teu lado, tão envergonhada?
- Bom dia, minha querida feiticeira. Eu estou bem obrigado. Esta menina, chama-se Carolina, encontrei-a no bosque, perdida. Ela vem de outro mundo…
- Estou a ver, minha querida, vens da Terra?
- Sim venho da Terra, de uma cidade chamada Braga - respondeu Carolina.
- Bem, quero que oiças com muita atenção o que te vou dizer!
- Sim.
- Muito bem, é assim: eu posso conceder-te um desejo, mas só um. Esta é a terra dos sonhos, consigo ouvir o pensamento, a preocupação e muitas outras coisas vindas da Terra. A tua mãe está muito aflita, sente a tua falta. Espero que o teu desejo seja voltar para casa porque depois será impossível…
- Há alguma maneira de eu ir para casa e regressar aqui algumas vezes quando eu quiser?
- Sim, há uma maneira mas só a podes utilizar quando sentires falta deste lugar ou estiveres com algum problema.
- Sim, tudo o que eu quero é poder vir aqui mais algumas vezes…
- Agora pede o teu desejo.
Assim que ela ouviu a feiticeira mãe, pediu logo o desejo de voltar para junto da sua querida mãe…
A feiticeira mãe disse-lhe:
- Chama-me Flora se quiseres…
E … chegou a sua casa sã e salva e também muito feliz porque tinha conhecido amigos novos. Ficou com uma ideia para a sua história que depois mostrou logo à sua professora.
Finalmente, ela encontrou a felicidade e também a coragem de mostrar as suas histórias. O seu sonho tornou-se realidade, ela é uma escritora!
FIM
Susana Raquel Silva Almeida, 7º4, Nº26
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