A tarde já ia alta, mas ainda fazia calor. Estava em minha casa com um grupo de amigos, mais propriamente na piscina, quando chegaram as minhas primas gémeas. Que surpresa! Era a primeira vez que vinham a Braga! Vieram com o pai delas, o irmão mais novo da minha mãe, que teve uns assuntos para resolver com um cliente cá de Braga. Conhecíamo-nos apenas pela net.
- Olá Catarina! – disseram as minhas primas, Francisca e Sofia.
- Que fixe, não estava à vossa espera! – exclamei eufórica.
Apresentei-lhes, imediatamente, os meus amigos.
- Donde é que vindes? – questionou o Zé Nuno curioso como de costume.
- Nós moramos em Faro – respondeu uma das gémeas, a Sofia.
Entretanto, a noite caiu e eu fui ajudar a minha mãe a preparar o jantar enquanto a malta se divertia a cantar SingStar.
Durante o jantar, fizemos planos para o dia seguinte.
- E se fôssemos até ao Arco da Porta Nova? – propôs a Isabel.
- Não! Vamos antes mostrar-lhes a Sé Catedral - contrapropôs a Diana, muito convencida.
Durante algum tempo, todos deram ideias, mas não havia maneira de nos definirmos.
- Temos de nos decidir! – exclamou, então, o Luís já cansado daquela confusão.
- Eu cá acho mais interessante levá-las ao Arco da Porta Nova – opinou o Zé Nuno sobre a questão. O Zé Nuno estava sempre de acordo com a Isabel…
Decidimos, finalmente, que o primeiro dia das minhas primas em Braga seria passado a dar umas voltas pela cidade.
Na manhã seguinte, cada um na sua bicicleta, tal como combinado (as minhas primas levaram as bicicletas dos meus irmãos), fomos até ao centro histórico da nossa bela e antiga cidade de Braga. Sem nos apercebermos, as bicicletas levaram-nos até ao Arco da Porta Nova, provavelmente porque era o Zé Nuno que ia à frente…
- Este é que é o arco da porta? – perguntaram as gémeas lembrando-se da conversa do dia anterior.
- Sim, é o Arco da Porta Nova de que vos falámos ontem – expliquei.
- É uma das entradas para o centro histórico da cidade – disse a Diana.
- Foi reconstruído no estilo Barroco em 1772 e veio substituir a antiga porta da muralha da cidade – acrescentou a Isabel.
- E é classificado como Monumento Nacional, sendo um dos símbolos mais importantes da cidade de Braga – completou o Zé Nuno.
As gémeas ficaram impressionadas! A lição estava bem estudada. Tínhamos participado no Peddy-paper no final do ano e estava tudo no blogue, mas esse era o nosso segredo.
- Não conheceis a expressão “És de Braga?” - perguntei eu às minhas primas. - Utiliza-se quando se quer ralhar a alguém que deixou uma porta aberta!
- Sim, o meu pai, às vezes diz-me isso! – respondeu a Sofia.
- Ora, essa frase deve-se ao facto deste arco, O Arco da Porta Nova, que era uma das ruas importantes de entrada na cidade, nunca ter tido porta desde o momento da sua construção. Há quem diga que foi por não haver guerra, nunca houve necessidade de proteger a cidade com portões e a cidade ficou sempre com esta porta aberta. Outras opiniões afirmam que por este arco passavam os bispos e arcebispos em direcção ao paço episcopal e outras pessoas ilustres. Assim, se alguém deixa a porta aberta é criticado porque esse gesto parece mostrar que se julga muito importante.
- Ah! Agora percebi! – exclamou a Sofia. – Foi uma excelente explicação!
- Vamos continuar a visita – propôs o Luís.
- Estou a ficar com fome! – comentou a comilona da Diana.
- Vamos às Frigideiras do Cantinho – acrescentou o Zé Nuno.
- Bem lembrado! Podíamos ir comer uma frigideira, eu adoro frigideiras! – explicou a Diana.
- Frigideiras? O que é isso? – perguntou a Francisca curiosa.
- Olha… é uma especialidade da nossa cidade. É massa folhada com carne picada no meio – respondi. É como um pastel de carne redondo, mas é do tamanho de um prato.
Fomos comer. As minhas primas adoraram.
Uma vez que estávamos ali tão perto, acabámos por ir à Sé Catedral. O Zé Nuno ficou a guardar as bicicletas.
As gémeas estavam ansiosas porque alguém lhes disse que íamos visitar o grande Tesouro da Sé. Quando perceberam que não havia nenhuma arca do tesouro, ficaram um pouco desiludidas, mas acharam interessante o facto do patrono da nossa escola, D. Frei Caetano Brandão, estar lá sepultado bem como os pais do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.
- Esta catedral deve ser um monumento com muito valor! – exclamou a Francisca.
- Cá em Braga somos assim, só temos coisas importantes – disse o Luís a querer impressionar as gémeas.
A Isabel ainda acrescentou:
- Esta Catedral é considerada um centro de expansão bispal e é um dos mais importantes templos do estilo Românico Português.
- Ficam também a saber que é a Sé mais antiga de Portugal, tem quase 1000 anos! – disse a Diana. – E é por isso que se usa a frase “é mais velha do que a Sé de Braga”.
As gémeas adoraram o que viram e ouviram. Fomos dar mais umas voltas de bicicleta. Subimos a Rua do Souto em direcção à Avenida Central.
Depois de termos almoçado no McDonald’s, levámo-las a conhecer a nossa escola. As pautas do 3º período já estavam afixadas. Entrámos a correr para ver as notas.
- Quem é este? – perguntou a Sofia olhando para o busto da entrada.
- É o patrono da nossa escola – informou a Isabel. – O que está sepultado na Sé, lembras-te?
- Que fixe, só tive uma negativa! – exclamou o Luís.
- Só?! – admirou-se o Zé Nuno. – És mesmo cromo! Eu não tive nenhuma e tive dois cincos!
- Olha, vai mas é “abaixo de Braga”! – irritou-se o Luís.
O Luís não costuma ser tão bem educado, mas como tínhamos visitas… Houve uns momentos de silêncio, e as gémeas perceberam, pelo tom da conversa, que se passava alguma coisa.
- O que é que se passa? – perguntou a Francisca.
- É que o Luís mandou o Zé Nuno para aquele sítio... – tentei explicar. - Antigamente a cidade de Braga estava localizada dentro de uma muralha. Era para fora da muralha, para os lados do Campo das Hortas, na altura abaixo da cidade, que estavam encaminhadas as águas sujas, a porcaria… os esgotos… por isso mandar “abaixo de Braga” é o mesmo que mandar àquela parte … vós sabeis…
- Já tinha ouvido dizer isso de muitas formas, mas essa é hilariante, e ninguém percebe que estão a mandar à… - respondeu a Francisca.
Não é bem assim … cá em Braga todos sabemos! Vê-se logo que são do Sul!...
A Diana, a Isabel e eu estávamos satisfeitas com as notas. Estudar compensa!
Depois de lhes mostrarmos a escola, (não havia muito para ver… a D. Rosa e a D. Alice andavam a limpar… nem sequer entrámos no bar!) seguimos até às Ruínas Romanas, na colina, e aproveitámos para lhes explicar o nome do nosso agrupamento.
Na visita às ruínas, o Dr. Joaquim foi o nosso guia. Contou-nos que estas ruínas foram descobertas em 1977 e funcionavam como umas termas. Durante as escavações, foi descoberto, por acaso, um teatro romano no mesmo local.
E assim passámos a tarde.
Estava a aproximar-se a hora do regresso das gémeas a Faro. Mergulhámos numa grande tristeza, pois, no pouco tempo que passámos juntos, criámos uma grande amizade.
O comboio era às sete, tínhamos que nos apressar! O pai delas já estava à espera em minha casa quando chegámos. Acompanhámo-las ao comboio e despedimo-nos com a promessa de que o próximo encontro seria em Faro.
Catarina Magalhães, Catarina Sobral, Diana Silva, Francisca Gomes, José Nuno Ribeiro, Sofia Carvalho, 7º1
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